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Química verde e a prática da Limpeza

Química verde e a prática da Limpeza

            Nos dias atuais a busca por produtos sustentáveis nos faz pensar na seguinte hipótese: caso nos deparássemos com duas versões de produtos voltados à sustentabilidade, uma com extrato de frutas na fórmula e outra comum, qual das versões pareceria melhor? A primeira? A resposta correta seria: nem sempre.

            Comumente nos enganamos ao pensar que produtos que contém uma substância natural, o mesmo se torna mais “verde” do que outro que, em sua essência, seja sintético. O alerta serve tanto para os consumidores finais quanto para compradores profissionais. Segundo Miguel Sinkunas, diretor da Câmara de Químicos da Abralimp e membro da comissão de Saneantes do Conselho Regional de Química (CRQ), um exemplo bem didático dessa situação, seria o óleo de laranja que, para muitos, seria um produto “verde”, entretanto se trata de um poluente aquático com efeito cumulativo e que pode trazer malefícios a saúde. Em contrapartida, segundo o mesmo Sinkunas, há solventes sintéticos nos dias atuais que causam menos impacto no meio ambiente do que o óleo de laranja mas, infelizmente, o consumidor não sabe disso.

            Dados os enormes prejuízos ambientais e à saúde causados nos últimos tempos, a indústria química tem sido tratada como uma verdadeira vilã. Entretanto, a mesma indústria por meio de uma maior atenção às questões ambientais, de sustentabilidade e de saúde, tenta mudar esse seu papel na trama. Bem utilizada, a química pode ser uma aliada para o desenvolvimento e fabricação de produtos verdadeiramente sustentáveis, como no caso da química limpa ou verde, definida como a invenção, desenvolvimento e aplicação de produtos e processos químicos que reduzam ou eliminem o uso e a geração de substâncias nocivas.

            Miguel Sinkunas afirma que a química verde precisa estar presente nos processos do fabricante, cabendo ao mesmo desenvolver produtos que poluam menos, não modifiquem o meio ambiente, prevejam o reuso ou reciclagem das embalagens, gerem menos resíduos finais e utilizem menos água ou menos enxague, economizando também energia.

            Apesar da grande procura por produtos desta linha verde, ainda no Brasil se trata de um consumo por nichos. Este fator, aliado à inexistência de uma regulamentação, faz com que não haja unidade entre os produtos disponíveis. “Fala-se muito na criação de uma certificação para produtos de linha verde, mas para isso é preciso estabelecer critérios rígidos, inclusive em relação à eficiência da ação do produto, para que possamos fazer comparativos reais”, analisa Sinkunas. “A ideia é orientar o mercado consumidos e acabar com o mito de que todo produto natural é verde.”

            Portanto, pode se afirmar que para um produto ser considerado verde, não precisa, essencialmente, ser natural, já que há produtos sintéticos no mercado que são menos degradantes ao meio ambiente. Entretanto, não há como se fazer um comparativo, já que não há uma regulamentação oficial de tal linha, pois no Brasil, ainda se resume a públicos específicos. Sendo assim, uma solução para que a química verde entre no mercado, seria uma maior conscientização e fundamentação do público para o uso de produtos desta Limpeza Verde. 

Fonte: Revista HIGIPLUS 1ºTrimestre/2015