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Sensacionalismo ou Ética? Eis a questão.1
Luciene TÓFOLI2
Universidade Federal de Juiz de Fora, MG
RESUMO
Finalmente, o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, editado em 2008, coloca o 
sensacionalismo na ordem do dia. Prática histórica, é recorrente na sociedade do 
espetáculo. Cada vez mais presente, muitas vezes ocupa o lugar da própria notícia. 
Nesse artigo, relembramos dois fatos que a Imprensa não pode esquecer: o caso Ibsen 
Pinheiro e o escândalo da Escola Base. Ambos são exemplos do mau jornalismo, da 
falta de Ética e daquilo que não devemos ensinar e nem repetir. 
PALAVRAS-CHAVE: Sensacionalismo; Ética; Jornalismo; Ibsen Pinheiro; Escola
Base. 
O novo Código de Ética dos jornalistas Brasileiros finalmente reconhece a 
existência do sensacionalismo e o coloca na ordem do dia, de forma direta. De acordo 
com o art. 11. “o jornalista não pode divulgar informações [...] de caráter mórbido, 
sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de 
crimes e acidentes”. Entretanto, como fugir à essa prática, arraigada e incentivada pela 
sociedade do espetáculo? Ou seria melhor dizer à própria sociedade?
Autoridade quando se fala em sensacionalismo no Brasil, Rosa Nívea Pedroso 
(2001, p.122-123) assim define a linguagem do jornal sensacionalista. 
[...] valorização da emoção em detrimento da informação; exploração 
do extraordinário e do vulgar, de forma espetacular e desproporcional; 
adequação discursiva ao status semiótico das classes subalternas; 
destaque de elementos insignificantes, ambíguos, supérfluos ou 
sugestivos; subtração de elementos importantes e acréscimo ou 
invenção de palavras ou fatos; valorização de conteúdos ou temáticas 
isoladas, com poucas possibilidades de desdobramento nas edições 
subseqüentes e sem contextualização político-econômico-socialcultural; discursividade repetitiva, fechada ou centrada em si mesma, 
ambígua, motivada, autoritária, despolitizadora, fragmentária, 
unidirecional, vertical, ambivalente, dissimulada, indefinida, 
substitutiva, deslizante, avaliativa; exposição do oculto mas próximo; 
produção discursiva sempre trágica, erótica, violenta, ridícula, insólita, 
grotesca ou fantástica; [...]
1 Trabalho apresentado no GP Teorias do Jornalismo do X Encontro dos Grupos de Pesquisa em Comunicação, 
evento componente do XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.
2
Jornalista. Mestre em Literatura e Psicanálise pelo CES/JF. Autora do livro Ética no Jornalismo (Vozes, 2008). 
Professora da Faculdade de Comunicação da UFJF (substituta). Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Caxias do Sul, RS – 2 a 6 de setembro de 2010
2
Remetido ao universo do jornalismo, o sensacionalismo é rótulo implacável. 
Danilo Angrimani, que se ocupou durante vários anos do estudo do Jornal NOTÍCIAS 
POPULARES, de São Paulo, por sua linguagem considerada sensacionalista e suas 
diversas implicações, que o diga:
Quando se enclausura um veículo nessa denominação, se faz também 
uma tentativa de colocá-lo à margem, de afastá-lo dos mídias 'sérios'. 
Se um jornal (telejornal, ou radiojornal) é tachado de sensacionalista, 
significa para o público que o meio não atendeu às suas expectativas. 
Na abrangência do seu emprego, sensacionalista é confundido não só 
com qualificativos editoriais como audácia, irreverência, 
questionamento, mas também com imprecisão, erro na apuração, 
distorção, deturpação, editorial agressivo – que são acontecimentos 
isolados e que podem ocorrer dentro de um jornal informativo comum 
(ANGRIMANI, 1994,14). 
Ciro Marcondes Filho, observando a prática sensacionalista, destaca: “Os 
escândalos, sexo e sangue compõem o conteúdo dessa imprensa [...] como as 
mercadorias em geral, interessa ao jornalista de um veículo sensacionalista o lado 
aparente, externo e atraente do fato. Sua essência, seu sentido, sua motivação ou sua 
história estão fora de qualquer cogitação” (MARCONDES FILHO, 1986, p. 15).
Mas por quê sensacionalizar ? A questão é histórica. 
Na França, já nos séculos XIV e XV, entre 1560 e 1631, circulavam periódicos 
recheados de sensacionalismo. Segundo Jean-Pierre Seguin, citado por Angrimani 
(1994, p.19), os primeiros jornais franceses- Nouvelles Ordinaires e Gazette de Franceprimavam pelos faits divers, “que agradavam a todos”. Antes desses, haviam surgido 
brochuras, chamadas de occasionnels, “onde predominavam o 'exagero, a falsidade ou 
inverossimilhança [...] imprecisões e inexatidões”.
No século XIX, também, na França, jornais populares conhecidos como 
Canards, de apenas uma página, impressos só na frente, com ilustração e texto, e que 
relatavam faits divers criminais, chocantes e fantásticos eram os que faziam mais 
sucesso. Segundo Pierre Horey, na sua análise sobre Canards2
du Siècle Passé, os 
canardeiros, como eram conhecidos, usavam de uma estratégia de vendas ancorada no 
marketing moderno e no discurso sensacionalista da atualidade: saíam pelas ruas, com 
autorização do chefe de polícia, esbravejando manchetes com fatos curiosos, 
escabrosos, que chamavam a atenção do público.
2 Canards além de significar pato, significava também "conto absurdo, fato não-verídico, cambalacho e , 
posteriormente, folhetim ilustrado" ( ANGRIMANI, 1994, p.20).Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Caxias do Sul, RS – 2 a 6 de setembro de 2010
3
É interessante, como ilustração, esses exemplos recolhidos por Angrimani 
(1994, p.20): “Um crime abominável!!! Um homem de 60 anos cortado em pedaços”, 
cujo subtítulo era: Enfiado em uma lata e jogado como ração aos porcos”. Outra 
manchete: “Um crime pavoroso: seis crianças assassinadas por sua mãe”. Mais uma: 
“Um crime sem precedentes!!! Uma mulher queimada viva por seus filhos.”
Embora todos esses relatos ocorridos na França, foi nos Estados Unidos que o 
sensacionalismo alcançou o status, com o primeiro jornal editado nessa linha por 
Benjamim Harris : Publick Occurrences. Na sua primeira edição, em 25 de setembro de 
1690, estampa em suas páginas, assinala Angrimani (1994, p. 20), o caos, que é devido 
a uma epidemia de sarampo de atingia Boston. Além disso, é afeito ao “faitdiveriano de 
alcova”3
. Numa outra matéria, muito provavelmente inventada, segundo Angrimani, 
fala dos abusos e investimentos libidinosos do rei da França sobre a mulher do príncipe, 
o que acaba numa situação constrangedora para a realeza.
Mas tal estilo ocuparia lugar definitivo no fazer jornalístico quando, no final do 
século XIX, surgem os periódicos World e Journal, editados por Joseph Pulitzer e 
William Randolph Hearst. 
Pulitzer era considerado um inovador. O New York World foi o primeiro jornal a 
utilizar cores, recursos de estilo gráfico que chamavam a atenção, como manchetes em 
letras garrafais e grandes ilustrações. Em 1890, tinha rentabilidade de fazer inveja: um 
lucro líquido de US$ 1,2 milhão, o que jamais fora conseguido por nenhum outro jornal 
do mundo, segundo o próprio Pulitzer. 
Em 1895, é a vez do milionário Hearst ingressar no mercado do jornalismo, em 
Nova Iorque. Segundo Angrimani, por apenas US$ 180 mil dólares, assumiu o controle 
do Morning Journal. Homem de negócios, disposto ao lucro, Hearst colocou-se como 
concorrente de Pulitzer e briga pela audiência recorrendo justamente ao 
sensacionalismo. 
É dessa época, inclusive, o surgimento do termo imprensa amarela, inspirado 
num dos personagens dos quadrinhos: o Yellow Kid, de Outcault, “um menino 
desdentado, sorridente, orelhudo, vestido com uma camisola de dormir amarela” 
(ANGRIMANI, 1994, p. 21). De pobre figura freqüentadora das tirinhas do domingo, 
Yellow Kid ganhou visibilidade nacional nos Estados Unidos.

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